Uma gagueira "diferente" não será necessariamente uma gagueira
neurogênica, podendo ser psicogênica e o diagnóstico diferencial nem
sempre é fácil, principalmente devido às reações emocionais
presentes neste segundo quadro.
IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
É essencial o encaminhamento ao
neurologista e/ou psiquiatra para avaliação, diagnóstico, eventual
medicação ou intervenção cirúrgica nos casos onde se suspeita de uma
possível origem neurológica ou psíquica. Existirá uma delimitação
mais clara do prognóstico no caso de ser constatada uma lesão.
Teremos a possibilidade de obter um entendimento melhor do quadro
que o paciente apresenta, inclusive das inter-relações entre
neurológico e emocional.
É importante escolher entre encaminhar ao neurologista e/ou ao
psiquiatra. No entanto, mesmo com o encaminhamento, não é simples
definir o tipo de gagueira devido às limitações da investigação
neurológica/ psiquiátrica. Existe pouca familiaridade dos
neurologistas/psiquiatras com a gagueira, falta de possibilidade de
realização de exames mais minuciosos, desvalorização do sintoma de
disfluência, o que é compreensível em alguns casos nos quais a
gagueira é apenas um pequeno achado frente a transtornos
neurológicos e psíquicos gravíssimos.
Podemos buscar por uma abordagem mais direcionada através das provas
terapêuticas mais prováveis de obterem bons resultados.
EXEMPLO DE UM CASO DE GAGUEIRA NEUROLÓGICA/PSÍQUICA
Uma paciente do sexo feminino, jovem adulta passou a apresentar
gagueira após o rompimento de seu noivado. Conjuntamente passou a
apresentar crises epilépticas. Em exame neurológico foi constatada
calcificação patológica na região fronto-parietal esquerda
(tomografia computadorizada) e atividade irritativa na região
temporal esquerda (eletro-encefalograma). A conclusão foi que a
paciente apresentava crises parciais elaboradas por
neurocisticercose (forma inativa). Apresentava também disartria. O
diagnóstico foi de epilepsia parcial com comprometimento da
consciência, cisticercose e distúrbio da fala.
Embora a avaliação médica deixasse clara a ocorrência de um quadro
neurogênico, todo o comportamento da paciente ante sua fala nos
dizia da possibilidade de uma gagueira psíquica: sua verborragia
incessante e a tranqüilidade ante uma fala extremamente prejudicada
nos faziam lembrar a típica "belle indefférence" destes casos. A
pesquisa na literatura especializada nos fez ver que a dificuldade
de diagnóstico diferencial era compartilhada com os demais
estudiosos do tema.
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