NEUROCIÊNCIAS


Epigenética

           As pesquisas atuais vêm nos fornecendo informações cada vez mais detalhadas sobre a área da Genética no que se refere à gagueira, mas paralelamente cresce também o conhecimento na área da Epigenética, que a complementa e enriquece nosso entendimento sobre os mistérios dos processos da hereditariedade.

           Se por um lado, a Genética nos informa que uma alta porcentagem dos portadores de gagueira a apresentam devido a uma carga genética, por outro lado, temos a Epigenética alertando-nos para a interferência decisiva do ambiente e até dos cuidados iniciais ao bebê, inclusive em sua vida intrauterina, na ativação ou silenciamento dos genes predisponentes às doenças, entre várias outras questões, como memória, reação ao estresse e tendência à depressão.

          O texto que segue não versa sobre gagueira, mas nos permite estabelecer ricos elos para a antiga questão do peso da hereditariedade e do meio ambiente para o surgimento e manutenção de um distúrbio de fluência.

Epigenetics and the Human Brain: Where Nurture Meets Nature
Isabelle M. Mansuy e Mohanna Safa
Cerebrum
, May 2011 - Disponível online: http://dana.org/WorkArea/showcontent.aspx?id=32676

Epigenética e o cérebro humano: onde a criação encontra a natureza.
Tradução: Eliana Maria Nigro Rocha
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Diferenças anatômicas cerebrais

           Em 1928, Travis - um dos primeiros estudiosos em gagueira - apresentou junto com Orton, um modelo neurofisiológico da gagueira, a teoria da "Dominância Cerebral", na qual especulava que a gagueira seria o resultado do conflito entre os dois hemisférios cerebrais no controle das estruturas da fala.  Não havia, na época, como comprovar ou refutar suas afirmações e sua teoria foi relegada a segundo plano, sobrepujada por outros achados de peso que foram ocorrendo.

              Com o surgimento dos sofisticados exames de neuroimagem, o cérebro passou a poder ser analisado de modo cada vez mais minucioso e pudemos acompanhar inúmeras descobertas, sempre mais refinadas, respaldando, em parte, algumas das intuições de Travis. No entanto, devido ao grau de invasão dos exames, estes eram sempre realizados com adultos, o que deixava sem resposta uma questão vital: as diferenças cerebrais encontradas nos indivíduos que gaguejam são congênitas ou adquiridas? Elas estão presentes desde a tenra infância ou surgem em decorrência da fala disfluente?

              O artigo de Chang e equipe mostra que, mais uma vez, a resposta não é tão radical. Algumas estruturas já apresentam alterações nas crianças
que gaguejam (9 a 12 anos de idade), outras alterações se encontram presentes apenas nos adultos que gaguejam, denotando que existe uma estrutura de base propícia à gagueira e que outras modificações surgem no decorrer da vida.

Brain anatomy differences in childhood stuttering
Soo-Eun Chang, Kirk I. Erickson, Nicoline G. Ambrose, Mark A. Hasegawa-Johnson and Christy L. Ludlow
NeuroImage 39 (2008) 1333
-1344
Disponível online:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2731627/pdf/nihms-45511.pdf

Diferenças anatômicas cerebrais na gagueira infantil    
Síntese: Eliana Maria Nigro Rocha. Acesse aqui
Apresentação resumida em Power Point. Acesse aqui







   
 
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