"Linguagem humana tem origem na África, afirma nova
pesquisa": esse é o título de um ótimo artigo publicado no jornal Folha de
São Paulo em 15.04.11, baseado em um trabalho de Quentin Atkinson, da
Universidade de Auckland, Nova Zelândia, que foi recentemente publicado na
prestigiada revista americana Science.[1]
Citam que se estima que o tronco de línguas indo-européias (quase todas as
línguas da Europa mais as das regiões como a Índia, Paquistão e Irã) surgiu a
9.000 anos no centro-sul da África, mesmo local onde sabidamente ocorreu o
início da espécie humana. Eles se referem a um "idioma de verdade, com
gramática e vocabulário complexos". Os estudiosos chegaram a essa
conclusão após um estudo de mais de 500 línguas, buscando encontrar as rotas de
difusão da linguagem pelo mundo.
Outro dado interessante - que já era conhecido pelos estudiosos - citado nesse
texto, é que quanto maior a população que fala uma língua, maior o número de
fonemas[2] que ela possui. Nisso interfere também o tempo que essa população
fala essa língua, de modo que os chineses - mesmo sendo a China a nação mais
populosa - não possuem a língua mais rica em fonemas do planeta, mas sim os
africanos. É essa maior diversidade de fonemas da língua em relação às demais
que indica que determinada língua é a mais antiga: conforme os idiomas se
distanciam desta fonte original vão diminuindo seu número de fonemas. Esse
padrão linguístico africano corresponde ao padrão genético: "os africanos
também são geneticamente mais diversificados que o resto da humanidade."
[1] Atkinson QD. Phonemic diversity supports a serial founder effect model of language expansion from Africa. Science. 2011 Apr 15; 332(6027):346-9. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21493858
[2] fonemas são definidos como a menor unidade sonora que permite a diferenciação entre as palavras. Ex: faca/vaca, moto/modo, etc...
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