Assim que iniciei a atuar em terapia fonoaudiológica, mais
especificamente
com gagueira, constatei que necessitava de algo mais do que o obtido
na
graduação em Fonoaudiologia. Embora todo o aprendizado efetivo fosse
de
primeira categoria e altamente atualizado, o contato direto com o
indivíduo que gagueja fez-me perceber a presença marcada do corpo, do
intelecto e do emocional em qualquer produção de fala e a necessidade
de
aprofundar meus conhecimentos nessas áreas.
Foi assim que iniciei meus estudos em
Psicomotricidade.
Muitas pessoas possuem uma visão restrita e inadequada da
Psicomotricidade, entendendo-a como
sinônimo dos exercícios visomotores
utilizados na pré-escola, uma vez que essa pequena faceta foi bastante
divulgada há algumas décadas atrás. Por isto é importante rever esses
conceitos, e saber que, segundo a Sociedade Brasileira de
Psicomotricidade:
Psicomotricidade é a ciência que tem como objeto de estudo o homem
através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e
externo.
Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das
aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. É sustentada por três
conhecimentos básicos: o movimento, o intelecto e o afeto.
Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de
movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas
pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua
linguagem e sua socialização.
Ou seja, Psicomotricidade se refere à profunda integração entre o
movimento, o intelecto e o afeto que ocorrem no corpo do indivíduo,
que
permite que ele se perceba, atue e se expresse no mundo. Fica
implícita
nessa afirmação que uma abordagem que busque favorecer a fluência de
fala, não pode se fixar em reeducar movimentos articulatórios ou
respiratórios, nem sequer buscar sanar supostos problemas emocionais
que
perturbam o indivíduo, mas que deve visualizar o indivíduo como um
todo e dentro desse todo, elencar os aspectos viáveis de serem
fortalecidos ou modificados.
Meu primeiro contato com a Psicomotricidade foi através da formação em
Psicomotricidade Ramain, uma abordagem de origem francesa criada por
Simonne Ramain e difundida no Brasil através da própria, que
posteriormente legou a Solange Thiers sua coordenação.
Leia mais a respeito em PSICOMOTRICIDADE:Ramain
Muitos anos depois, acompanhando as inovações que Solange Thiers
fornecera à abordagem tradicional do Ramain, ao embasar
psicanaliticamente sua atuação, iniciei nova formação, em
Sócio-Psicomotricidade Ramain-Thiers.
No término do curso apresentei a monografia na qual faço um estudo das
transformações na história da Psicomotricidade, em um desejo de
entender o
processo que foi norteando seus momentos. A conclusão a que chego é
sobre a
amplitude da abordagem Ramain-Thiers que, sem abandonar os enfoques da
visão tradicional, fortalece-os com uma visão ainda mais ampla do que a
anterior, agregando os aspectos psicanalíticos e sociais.
É um
grande conforto constatar que a Fonoaudiologia, cada vez mais, também
chega a essa visão integrada do indivíduo, o que facilita sobremaneira
meu trabalho clínico, no qual busco atuar de modo coeso, sob um enfoque amplo e abrangente.
Acesse a monografia de conclusão do curso em PSICOMOTRICIDADE:Ramain-Thiers
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