Peter Kissagizlis (UK), editor de web-site e co-fundador de um
grupo de
auto-ajuda para pessoas que gaguejam, se define como "uma pessoa que
tem taquifemia pura". Ele narra sobre suas dificuldades escolares,
no que se refere à reação à sua fala, tanto por parte dos
professores, como dos colegas. Seu sentimento era de estar isolado,
excluído, frustrado pelas pessoas não o entenderem.
Ele refere que sua fala é rápida, o que afeta seus pensamentos, seu
trabalho, leitura e escrita, suas habilidades de conversação. Ele se
percebia sempre muito ativo, fazendo várias coisas ao mesmo tempo,
mas necessitando de um esforço extremo para persistir em uma
atividade por muito tempo. Sintetiza dizendo que muitos sintomas da
taquifemia apresentam similaridades com o distúrbio de atenção e
hiperatividade.
UM POUCO DO HISTÓRICO DA TAQUIFEMIA
Apesar de ser uma patologia ainda pouco conhecida, temos
documentos europeus sobre o tema desde 1717 e o primeiro livro a
este respeito foi escrito por Deso Weiss em 1964. [1]
O primeiro congresso mundial em Taquifemia ocorreu em maio de 2007,
na Bulgária, reunindo sessenta participantes de dezoito países. Nessa
ocasião foi formada a Associação Internacional de Taquifemia
(International
Cluttering Association -
http://www.associations.missouristate.edu/ICA/)
que congrega profissionais e pessoas com taquifemia e que tem como
seu principal objetivo ampliar o conhecimento dos profissionais e do
público em geral sobre a questão, objetivando tratamentos mais
efetivos. Kathleen Scaler Scott (USA) é a atual presidente da ICA e Peter
Kissagizlis (UK), o secretário. Joseph Dewey (USA) outro membro da
Associação é o criador do grupo de auto-ajuda sobre taquifemia no
Yahoo. Embora a maioria dos membros desse grupo seja
norte-americana, existem representantes em vários outros países. Outras figuras de destaque na área: Kenneth St Louis, Florence
Myers e David Daly.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
O diagnóstico diferencial entre taquifemia e gagueira não é tão
simples como as descrições de cada quadro possam sugerir. Um bom começo para entendermos melhor esta questão é constatar que o
termo em inglês para taquifemia é cluttering. O substantivo clutter
é traduzido como "confusão, desordem, tumulto, barulho" e o verbo
como "fazer barulho ou algazarra, atravancar, amontoar
desordenadamente". [2] Já no Houaiss [3] temos taquifemia definido como "taquilalia", que é uma
definição incorreta do ponto de vista fonoaudiológico, uma vez que "taquilalia" encampa apenas uma das características presentes na
taquifemia, qual seja, uma fala acelerada. Diferentemente das pessoas com gagueira, aquelas com taquifemia
melhoram a inteligibilidade de sua fala ao se concentrarem para
falar. (Hartinger M, Mooshammer C, 2008). A maioria dos que
apresentam taquifemia falam muito depressa, geralmente não tem
consciência de suas disfluências e alterações na articulação,
apresentam uma linguagem confusa e também problemas de coordenação
motora, frequentemente "resistindo aos nossos melhores esforços
terapêuticos". (Daly,2007) [4] Daly (2007) apresentou a sessenta especialistas em fluência do mundo
todo, um questionário com cinquenta itens para que eles
classificassem os fatores que consideravam os mais importantes para
identificar taquifemia. Com 93% de concordância entre os estudiosos tivemos: palavras
alongadas (telescopes) ou condensadas através de omissões ou
transposição de sons e sílabas. A falta de habilidades efetivas para
se automonitorar foi elegida por 90% dos pesquisadores. Seis outros
itens foram eleitos por 80% dos pesquisadores, o que revela
concordância, apesar dos especialistas terem sua formação em
diferentes regiões do mundo. No total, foram elencadas trinta e três características como
representantes dos sinais diagnósticos mais críticos. Uma ferramenta
diagnóstica foi montada a partir desses dados, com a proposta de
pontuação em uma escala de 0 a 7 para cada um desses itens. Quanto
mais alto o índice obtido, maior probabilidade de a pessoa apresentar
taquifemia. Escore de 120 a mais pontos seria indicativo de
taquifemia, mas é uma pontuação bastante rara. Tipicamente os escores
variam de 80 a 120, o que seria indicativo da chamada
taquifemia-gagueira. Um terço das pessoas com gagueira apresenta
alguns sinais de taquifemia.
TERAPIA
Pacientes com taquifemia frequentemente requerem estratégias
diferenciadas de terapia. Tentar simplesmente fazer com que falem
mais devagar, não é produtivo. Deve-se procurar abordar alguns dos
sintomas associados ao invés da velocidade apenas. Atividades que
melhorem a coordenação da fala, a inteligibilidade da mesma e a
consciência de suas dificuldades são mais úteis, quando associadas a
outras propostas que melhorem suas alterações de fala e de memória. (Daly, 2007) [4]
DICAS ESPECIAIS
No site da Associação Internacional de Taquifemia [1] encontra-se disponível para download gratuito:
livro "Cluttering: a Clinical Perspective" Myers, F.L. & St. Louis, K.O. (1996) Singular. San Diego
teste "The Predictive Cluttering Inventory" David Daly (2006) com versão inclusive para o espanhol
OBS: Peter Kissagizlis, citado no início deste texto, faleceu em novembro de 2009.
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